31 de Julho, 2026
Jovens reconhecem a gravidade das alterações climáticas, mas faltam condições para agir
Esta é uma das principais conclusões do estudo “Perceções dos Jovens Portugueses sobre Alterações Climáticas e Sustentabilidade” que teve o contributo da Netsonda
A Fundação EDP apresentou esta semana o estudo nacional «Perceções dos Jovens Portugueses sobre Alterações Climáticas e Sustentabilidade», desenvolvido em parceria com a The Equator Company e a Netsonda, que analisa a relação dos jovens portugueses entre os 18 e os 25 anos com as alterações climáticas, a sustentabilidade e a transição ecológica.
Os resultados mostram uma geração amplamente consciente dos desafios ambientais: 86% dos jovens identificam a atividade humana como a principal causa das alterações climáticas, 84% acreditam que estas terão impacto direto nas suas vidas e 80% afirmam estar disponíveis para mudar hábitos e comportamentos. Ainda assim, a adoção efetiva de práticas relacionadas com a sustentabilidade permance algo limitada, com uma média de cinco medidas implementadas por jovem e quase metade dos inquiridos (46%) a referir ter adotado quatro ou menos ações concretas.
Quando questionados sobre quem deve liderar o combate às alterações climáticas em Portugal, os inquiridos colocam o Governo em primeiro lugar (30%), seguido da União Europeia (25%) e das Nações Unidas (20%). Apenas 11% apontam os cidadãos individuais como principal responsável, evidenciando uma visão do problema assente em soluções estruturais e institucionais. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de uma responsabilidade partilhada, assente na ação articulada entre instituições públicas, empresas, comunidades e cidadãos, cujos contributos são complementares para acelerar a transição ecológica.
Entre as principais barreiras à ação individual destacam-se o custo de vida (48%), o preço das soluções sustentáveis (46%) e a perceção de que as mudanças mais relevantes dependem sobretudo de decisões políticas e económicas. Muitos jovens referem igualmente dificuldades em compreender, na prática, como podem contribuir para a mitigação das alterações climáticas, considerando que o debate público tem sido mais focado na sensibilização para os problemas do que na apresentação de soluções concretas.
O estudo revela também uma geração mais informada e consciente, sem negacionismo, com apenas 3% a afirmarem que não procuram informação sobre o tema.
A escola e a universidade continuam a desempenhar um papel relevante na formação destas perceções. Mais de metade dos jovens (56%) considera que estas instituições contribuíram para decisões mais informadas em matéria de sustentabilidade. Por outro lado, o estudo também aponta para uma abordagem ainda fragmentada e pouco ligada às dimensões económicas, tecnológicas e profissionais da transição ecológica.
Neste contexto, surge também uma oportunidade relevante para o mercado de trabalho: 43% dos jovens afirmam que gostariam muito de desenvolver a sua carreira em áreas ligadas à sustentabilidade. Contudo, muitos reconhecem desconhecer profissões específicas ou percursos profissionais relacionados com a transição ecológica, o que acaba por limitar a transformação desse interesse em escolhas concretas.
O estudo foi realizado através de 1.000 entrevistas online a jovens entre os 18 e 25 anos residentes em Portugal, incluindo Continente e Regiões Autónomas, complementadas com 4 focus groups online e 16 entrevistas aprofundadas realizadas entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.